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sábado, 15 de dezembro de 2018

15/12 EJA AMEAÇADA

A gestão atual da Prefeitura de Porto Alegre tenta, de muitas maneiras, desestruturar a organização da Rede Municipal de Ensino. Esta rede construída e pensada, que ja foi considerada uma das melhores do país, hoje sofre com constantes ameaças e desmontes, trazendo angústia para os servidores, para a comunidade, para a Educação.
Hoje escrevo de um lugar que observa, dia a dia, as mudanças que a  educação de jovens e adultos (EJA) pode sofrer: de dentro da sala de aula. No estágio pedagógico, atuo em uma turma de EJA, totalidade 3. Mas nas noites de quinta-feira, as turmas das totalidades 1 e 2 são unidas com a turma em que atuo. Assim, fico com as três turmas, lidando com os diferentes níveis de aprendizagem que são, nestes alunos, muito discrepantes. Além disso, temos um público com alguns casos de deficiências, o que requereria um pouco mais de atenção a estes alunos para atender suas necessidades.
E, justamente neste momento, muitas escolas sentem que podem ter redução de turmas, redução de professores, e um detrimento do trabalho pedagógico que é feito com estes alunos que já apresentam tantas especificidades sociais e educacionais.
Nesta semana de rematrículas nas escolas municipais, nossa expectativa por ter conosco nossos alunos, garantir-lhes este serviço tão importante com qualidade e proximidade de suas casas, demarcam um tempo que não gostaríamos de viver: o da incerteza.
Estamos mobilizados e preocupados. Estamos inseguros e esperançosos. Estamos com os olhos no desenvolvimento dos alunos e no desmonte de nossas condições de trabalho. Enfim, atualmente, ser servidor municipal, professor, lá na sala de aula, é ter os pensamentos tomados pela constante dualidade e incerteza. Neste aprendizado do estagio, vivencio o que é trabalhar com esta modalidade de ensino. Teoria e prática, estudos e experiências passadas anteriormente, se mostram nessa prática em muitos aspectos (https://mariadalpiva.blogspot.com/2018/05/0705-jovens-e-adultos-em-sala-de-aula.html, https://mariadalpiva.blogspot.com/2018/04/0204-revisitando-o-passado.html, https://mariadalpiva.blogspot.com/2017/11/um-fenomeno.html, https://mariadalpiva.blogspot.com/2017/07/finalizando-o-semestre.html).
O que eu não esperava e lamento, é nesta vivência, provar a preocupação que os professores da EJA vivem. E, mais importante, temer pelo futuro desses alunos, que já carrego comigo com afeto e pensamentos desejosos de um futuro melhor.


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

15/10 DIA DOS PROFESSORES



Nesta data querida quero desejar muitas felicidades e muitos anos de vida aos profissionais que atuam na Educação. Quase uma profissão de risco, atualmente, pelas questões morais que desafiam nossa saúde mental, mas também pelas questões financeiras. Ser professora neste país requer talento, vontade e crença na possibilidade de mudar o futuro. Para ser professora não precisa dom, não precisa vocação. Definitivamente, não se trata de um sacerdócio. Precisa ter cérebro. E com este cérebro, ter vontade de aprender, para assim, poder ensinar. E ter vontade, todos os dias, de se reconstruir, de se reinventar.

E já atuante em Educação, continuo estudando sobre Educação. E sigo me questionando e me abalando com as questões que cercam nossa prática. Como nossa formação segue estanque em um mundo que mudou demais para seguirmos do jeito que sempre foi? Em como não estamos tão dispostos assim a rever e ousar em métodos educacionais e formação de professores que sejam condizentes com os humanos que temos hoje em sala de aula, com muitas outras questões além do currículo que precisamos abordar.

"...em nosso tempo pouco se tem feito para qualificar o professor à altura da complexidade que nos cerca. Há quatro décadas, Anísio expressou sua sincera inquietação. No entanto, temos que dar nossas mãos à palmatória da sua crítica mais veemente, e repetir: “ainda não fizemos em educação o que deveria ser feito para preparar o homem para a época a que foi arrastado...”; “na educação comum do homem comum os progressos são os mais modestos” (SILVA 2018).

Ainda estamos presas, em um curso de graduação, ao preenchimento de planejamentos detalhados que nortearão nossa prática mais do que estabelecida. 
Ainda estamos presas aos domínios da classe dominante. 
Ainda estamos sujeitos aos mandos e desmandos de pessoas que pouco entendem de Educação. Ainda estamos carentes de tantos recursos, desde recursos básicos até os mais urgentes e tecnológicos. 
Ainda somos chamadas de doutrinadoras, contraventoras.
Sim, pouco temos para comemorar. Temos mais a chorar. E o futuro não está sendo muito gentil com nossa profissão, parecendo que estamos à beira de um colapso e geração de uma desigualdade maior ainda do que a que já vivemos.
E, finalmente, hoje não deveria ser o Dia dos Professores. Hoje é o DIA DAS PROFESSORAS. Somos maioria. E isso, deveria ser importante, sim!


Referência

SILVA, Marco. De Anísio Teixeira à cibercultura: desafios para a formação de professores ontem, hoje e amanhã. Boletim Técnico do Senac, v. 29, n. 3, p. 30-41, 2018.


quarta-feira, 13 de junho de 2018

04/06 AGRESSIVIDADE

É na sala de aula que as crianças e adolescentes têm um espaço para falar  de suas angústias, seus traumas e descarregar (literalmente) as pressões que trazem dos ambientes em que convivem. Sentem-se à vontade para externalizar estes sentimentos que os angustiam, que atrapalham seu desenvolvimento. 
E neste contexto, da sala de aula, este comportamento ou este espaço que pensam ser adequado para catalizar estes sentimentos, estes jovens acabam tornando-se agressivos, incompreendidos ou indisciplinados. São provenientes, muitas vezes, de lares desestruturados, sem acolhida ou espaço para a fala e a escuta. Negam esta agressividade que é presente, principalmente, na fala, nos gestos e podem até alcançar a agressão física. 
Quando repreendidos, retirados do ambiente em que estavam agressivos, prosseguem nesta posição defensiva e agressiva, e aos poucos, iniciam suas falas que caracterizam estes desabafos. 
Assim, compreendo que a indisciplina e a agressividade, estão muitas vezes ligadas aos fatores domésticos e à falta de espaço que têm na sociedade, como adolescentes e crianças, para falarem de seus problemas. E são estigmatizados como alunos "problema" ou que não se enquadram ao ambiente escolar.
Enfim, hoje esta breve reflexão foi motivada pelo comportamento de uma aluna em sala, que extremamente agressiva ao falar com colegas, só queria ser escutada quando conversava com a diretora. Calma, ouvinte e falante, pôde trazer um pouco de suas angústias e modificar o dia que poderia ter sido "mais um dia que a aluna não se comportou".

segunda-feira, 11 de junho de 2018

28/05 DIA DE PROVA



Na minha vida escolar, como aluna, percebia claramente a diferença entre as avaliações que eram oferecidas. Sentia quando estava sob avaliação global em um contexto e equiparando minha evolução no processo. Sentia quando a prova era o instrumento que garantiria a aprovação, a nota, o reconhecimento. Ironicamente, gostava de ser avaliada dessa segunda forma, sentia mais segurança nos resultados "obtidos" do que nos resultados "observados". A questão emocional do momento avaliativo classificatório também era um ponto bastante importante no meu desenvolvimento: sob tensão ou após forte preparação, sentia a responsabilidade de fazer os resultados transparecerem. 
C:\Users\ASUS\Documents\Johannes 20_07_2017\01 Ensino Grad\PEAD_didatica\PEAD 2018\avaliacao2.jpegHoje, como professora, me observo cotidianamente. E isso é bastante inoportuno para quem tem um pensamento constante em "como fazer melhor, de outro jeito, de que maneira eu posso mudar isso". É inoportuno porque tira a zona de conforto que, parece, é um momento de paz para o trabalho docente. E o trabalho docente não nos oferta, nem paz interna nem externa! Enfim, estou sob constante reformulação.
Classifico sim, muitas vezes. E medio, muitas vezes. E a avaliação é também utilizada como uma forte "moeda" na sala de aula, onde a indisciplina e negligência podem estar negativando o trabalho pedagógico. 
E neste processo de mediadora, em muitos momentos atuais, observo que os alunos pedem o momento classificatório. Assim eu justifico a lembrança anterior de meus tempos de aluna, em que gostava de ser classificada. E os tranquilizo dizendo que neste processo todo venho observando os progressos e evoluções, assim como os déficits pessoais de cada aluno. E que as provas (as tão temidas- e requisitadas- provas) servem de instrumento para observar este processo. Que os trabalhos servem de fonte para identificar os pontos onde devemos reformular, retornar, reforçar. E que o sucesso/fracasso dos alunos é, também, o meu!
A avaliação é, assim, bilateral. Eu também estou sob processo avaliativo.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

30/04 REPLANEJANDO O PLANEJAMENTO

Pensamos em nossas salas de aula como espaços democráticos, que nosso planejamento seja flexível para se adequar às necessidades dos estudantes, organizamos planejamentos que contemplem as necessidades reais e modos de desenvolve-las. 
Aqui, de dentro da Faculdade de Pedagogia, analisamos nossa prática e vemos, na teoria, que a organização do planejamento é mais do que nossa própria organização. É a possibilidade de vislumbrar o andamento lógico da construção dos objetivos que queremos atingir com os alunos, avaliando as possibilidade de retomada, mudanças e adições de novos fatores neste processo. 
Na prática, em nossas salas de aula atuais, reavaliamos nossa prática já usual e percebemos que nossos planejamentos perpassam as questões teóricas relatadas neste texto. As questões subjetivas dos alunos e seus desenvolvimentos são importantes no desenvolvimento de nossos trabalhos. 
Mudei o planejamento que tinha em uma turma para tentar contemplar algumas necessidades bastante evidentes entre os estudantes. Apresentam frequente manifestação de detrimento da própria imagem, de suas habilidades cognitivas ou de suas posições sociais. Possuem desejo de aprender e se manifestar diferentemente, mas retomam o comportamento negativo e reiniciam o ciclo. Estão em pleno processo de autoconhecimento, avançam e retrocedem.
Estou com os olhos e ouvidos atentos para esta turma e procuro atender suas questões que são bastante peculiares. Ainda me falta colocar em prática alguma atividade que organize-os e lhes mostre que estes comportamentos são naturais, mas que já podem iniciar a autoavaliação de suas falas e modificar estes comportamentos. Assim, contribuindo para sua personalidade, sua autoestima e sua autoconfiança.
Estas questões não estão contempladas na minha disciplina. Sou a professora de Ciências deles. Mas creio que eu possa intervir positivamente nesta construção junto aos alunos.
Estou então vivenciando a reformulação, na prática, do meu planejamento.
Há momentos que o conteúdo poderá ficar, em alguns momentos, em segundo plano. Há momentos que os professores precisam sair um pouco de suas caixas.

REFERÊNCIA:
MARTINS, Elizete Ferreira Parnaíba; DANTAS, Maria de Lurdes Quaresma; PINHEIRO, Francimeire Leite. Autoconhecimento e autoestima. Id on Line REVISTA DE PSICOLOGIA, v. 5, n. 15, p. 37-47, 2011.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

23/04 BANDO DE ANALFABETOS LETRADOS


Se por um lado o nosso sistema educacional e social (com todo nosso contexto sócio-econômico-político) tende a valorizar a educação e os benefícios que traz para uma sociedade, vemos de outro que os modos de produção tendem a perpetuar a infeliz desigualdade que embasa essas relações. Indiscutivelmente tivemos avanços, sim. Indiscutivelmente mantemos (socialmente) ciclos que tem suas origens desde nosso entendimento como nação.
Não estamos somente sob o efeito da desigualdade educacional em termos de “analfabetos x alfabetizados”. Estamos em uma desigualdade que transcende esta parte (sob este aspecto) meramente funcional. Estamos em uma desigualdade de compreensão geral sobre as questões do mundo, nosso papel diante da sociedade (nosso papel individual e coletivo). Estamos tão carentes de construções sólidas e críticas sobre os desdobramentos de nossas ações políticas e sociais que beiramos um colapso semelhante a uma manada cega que se direciona para o abate.
Se por um lado precisamos combater as ideias opressivas e manipuladoras, do outro precisamos construir possibilidades pedagógicas que aproximem nossa prática, cada vez mais, de aspectos empoderadores sobre nossos alunos e comunidade, emancipatoriamente. Como citado no texto, “o pedagógico deve tornar-se mais político e o político, mais pedagógico” (GIROUX, 1990).   
Estes conceitos “emancipação” e “empoderamento” soam positivamente e negativamente em nossos meios sociais. Há quem pense que estes conceitos se relacionam com a rebeldia, com a desestruturação social de modo anárquico e até “comunista” (destaque-se aqui o grande temor social que percebemos nestes conceitos).
 Emancipar e empoderar lembra e remete a “permitir pensar, analisar e agir”. Assim entendemos porque estes conceitos despertam tantas controversas opiniões na sociedade. Positivamente, temos nestes conceitos um embasamento de sobre o que mais precisamos em nossa educação, principalmente nas camadas mais populares. É indissociável, nestes conceitos também, a democracia. Uma democracia em suas raízes, radical neste sentido (não radical no sentido que a sociedade dominante tanto “teme”). Na verdade, as classes dominantes sempre temem a democracia em todos seus sentidos, imaginamos. Exercer poder requer um dominante e um dominado, e isso não está de acordo com o conceito democrático que pensamos aqui neste texto. A emancipação social e a alfabetização emancipatória prescindem da possibilidade de direitos igualitários e justiça social, o que vemos que é uma ameaça aos sistemas que se apresentam. Nossa luta cotidiana é vagarosa e constante, é enraizada e fundamentada em uma utópica sociedade com menos desigualdades, com mais possibilidades, com menos dominação e mais participação.
Queremos uma nação verdadeiramente democrática, crítica e emancipada. No entanto, vemos que a contramão do progresso como sociedade se instala todos os dias, pouco a pouco, podando nossos pequenos frutos conquistados com tanto esforço. O retrocesso que estamos passando tende a ter efeitos muito negativos, danos que demorarão um longo tempo para serem sanados. 
                 
REFERÊNCIAS

GIROUX, Henry. Alfabetização e a pedagogia do empowerment político. FREIRE, Paulo; MACEDO, Donaldo. Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, p. 1-27, 1990.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

02/04 REVISITANDO O PASSADO

O aprendizado da semana foi o mais árduo dos últimos tempos. Vínhamos aprendendo pouco a pouco, mas quando a ação se concretiza vemos que nossa força se esvaiu, de fato. Vimos nossa democracia se desfazer e nosso senso de justiça foi colocado à prova, nos fazendo desacreditar em um sistema que julgue seriamente os crimes e que julgue também os não-crimes. Toda essa atmosfera de ódio e intolerância que enfrentamos nos coloca à disposição de manipuladores de ideias, à mercê de opiniões formadas massivamente e com interesses obscuros e que tolhem, sem dúvida, nossos direitos como nação, como cidadãos, como humanos.
Em análise neste momento estudamos a história da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Nesta retrospectiva vemos que os estudantes que necessitam/necessitaram desta modalidade são vistos como estudantes que não despertam a seriedade de investimentos que a Educação preconiza. Ofertada inicialmente aos trabalhadores para formação de mão de obra qualificada para o trabalho industrial no Brasil, a EJA se configurou como política pública educacional nos anos 40, em uma época que o país
precisava pensar urgentemente em propostas alfabetizadoras para a população adulta.
Em 1958, no governo de Juscelino Kubitscheck desenvolveu-se o entendimento de que a educação ofertada a esse alunado lhe possibilitaria melhores condições de vida. Nesta mesma época ganhou visibilidade Paulo Freire, propondo um processo educativo que fosse construído – e não dado – juntamente com os estudantes. Tal processo não contemplaria a escolarização como fim, e sim como início, uma vez que a educação seria um instrumento de mobilização social, possibilitando o desenvolvimento da consciência crítica dos aprendizes. 
Crédito: Francisco Proner Ramos
Em 1964 a Ditadura brasileira representou um volver na história da EJA, perseguindo duramente o educador Paulo Freire pelo governo ditatorial, acusado de disseminar ideias contrárias e anárquicas ao regime político da época. Ideias como levar o educando a uma conscientização sobre a realidade, estimular o seu pensamento crítico e fazê-lo refletir sobre o seu lugar numa sociedade marcada pela divisão de classes sociais eram, de fato, ameaçadoras ao plano de governo dos militares. Extintos estavam, então, os programas de educação de adultos de cunho popular.
Entre 1965 e 1967, a taxa de analfabetismo entre a população adulta brasileira era preocupante, estimava-se que aproximadamente 40% dos brasileiros não sabiam, sequer, assinar o próprio nome. Estava estabelecido um cenário bastante favorável para a instalação da desejada hegemonia da política vigente. Nesta ideologia, a alfabetização serviria somente para inserir as pessoas no mercado de trabalho, para que contribuíssem para movimentar a economia do país. A fim de erradicar o problema do analfabetismo, o governo, então, elaborou o seu próprio projeto, o Movimento Brasileiro de Alfabetização – O MOBRAL. Idealizado desde 1967, ainda no governo do general Costa e Silva, sua consolidação se deu somente em 1969, no governo Médici. Após inúmeros decretos, ficou decidido que a presidência do MOBRAL seria nomeada pelo então Presidente da República, instrumentalizar o aluno a decodificar letras e números, sem se comprometer com o desenvolvimento político-social do educando.O cidadão recém-alfabetizado, geralmente oriundo de classes populares, continuou servindo como mão de obra pouco qualificada para classes mais abastadas da sociedade. Com a diferença de agora passar a participar do mercado de trabalho formal.
Muitas outras fases se sucederam na história da EJA. Hoje como um plano que estabelece como prioridade a erradicação do analfabetismo, estipula como meta aumentar o nível de escolaridade das pessoas adultas, sobretudo na faixa de 18 a 24 anos e destaca a necessidade de acrescentar a qualificação profissional à formação escolar do aluno jovem e adulto.
Nesta breve visita ao passado, vejo o presente. Com olhos atentos e tristes, pessimistas também. Sob a mira de um cenário político que não incentiva os cidadãos a refletirem sobre suas práticas, que tende a fortalecer um mercado mecanicista e que desvaloriza o saber, o senso crítico e a mobilização social, vivemos quase amedrontados. Sim, infelizmente, acuados.
Os acontecimentos políticos refletem diretamente nos programas sociais do país, as situações se refletem nas esferas mais frágeis, o povo que mais necessita sofre com mais penalidade as mudanças governamentais que não incentivam o desenvolvimento social, muito menos seu desenvolvimento como cidadãos.


terça-feira, 6 de março de 2018

05/03/2018 CHEGOU O EIXO VII



E um novo semestre começa com suas expectativas costumeiras e ansiedades exacerbadas. Não sei mensurar se estamos em uma fase de muitas demandas, muitas aulas presenciais, preparação para o estágio curricular, pensamentos sobre o TCC...ou se estou com uma ansiedade acima do normal. Porque sei que estas atividades todas se resolverão com o passar do semestre, que algumas madrugadas eu não dormirei, que terei muitas leituras, que terei muitas dúvidas, etc. Mesmo assim eu já sofro de um quadro de ansiedade que, por vezes, me bloqueia e paralisa. Noutras vezes me torno uma pessoa extremamente crítica e chata, reclamante e questionadora demais com o modo que o mundo funciona. E isso é muito desgastante e frustrante.
É um período de impotência, mas também sei que não posso ficar parada senão nada se resolve. Sei que este blog não é um espaço de terapia pessoal, mas é um espaço de aprendizagens e espero aprender com tudo isso. Rindo ou chorando, passarei por tudo isso.

Na aula presencial de ontem fomos convocadas para uma atividade com o curta-metragem EscolasDemocráticas(animação produzida por Ellen Stein, parte do documentário "Democratic Schools" de Jan Gabbert ,2006).
Em uma breve análise, recortamos do filme os nosso pontos de vista sobre o modelo educacional que observamos, os pontos que encontramos em comum com nossa educação e as nossas críticas ao mesmo. Não é uma animação engraçada, é um retrato triste. Que nos faz pensar em como poderíamos ter escolas que oportunizassem vivências e aprendizados aos alunos sem este velho modelo de doutrinação e dominância que observamos.

Em uma das cenas do filme uma aluna "derrama" o conteúdo de um livro dentro de seu cérebro, simbolicamente colorido de azul que era a cor contida no livro. Na cena seguinte os alunos estão em uma avaliação e a cor azul de seus cérebros flui para o papel, para a avaliação, simbolizando que o "conhecimento" era, na verdade, somente para a avaliação. Assim já fizemos tantas vezes como alunos, assim fazemos tantas vezes como professores. Não somos isentos de participar deste sistema, embora estejamos com as críticas a ele na ponta da língua. Mas que não percamos a esperança e energia de tentar fazer diferente todos os dias, nem que seja um pouquinho, pra ver o sol nascer de um novo jeito nas nossas salas, nos olhos e olhares dos nossos alunos e em nossas próprias vidas.