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segunda-feira, 18 de julho de 2016

A Música no seu Cérebro - A Ciência de uma Obsessão Humana

        Na leitura do capítulo "O Instinto Musical" do Livro A música no seu Cérebro (Daniel J Levitin, 2006), o papel da música em nosso cérebro é amplamente discutido, desde as bases cerebrais até os ritos comportamentais e vocalizações de outras espécies, além da humana.
O livro todo trata de uma experiência sensorial fascinante que somente a música pode nos proporcionar. Fala também sobre a evolução do cérebro e da música, paralelamente. O que um tem a ensinar ao outro.
        Na escrita de hoje, uma opinião bastante intrigante me chamou a atenção no livro. Um psicólogo e cientista cognitivo (Stevem Pinker) propõe que a música atue no cérebro como um cheesecake auditivo. Nesta proposta defende que a música atue "simplesmente estimulando várias partes importantes do cérebro de forma altamente agradável, como um cheesecake estimula o palato. Os humanos não desenvolveram em sua evolução o gosto por esse alimento, mas pelo açúcar e gordura  presentes neste que atuariam disparando centros de gratificação que nos oferecem prazer ao degustá-los. Assim o cientista também classifica a música: os nossos centro de prazer não sabem a diferença entre as fontes de prazer. A música atuaria como reforço de um comportamento adaptativo, presumivelmente a comunicação linguística.
        Em contrapartida, o autor do livro defende que a música atuou na evolução humana em diversos aspectos: ajuda a preparar a mente para complexas atividades cognitivas e sociais, exercitando o cérebro e deixando-o preparado para as exigências a que terá de responder na linguagem e na interação social. Na criança, por exemplo, em seus primeiros seis meses, a percepção infantil não lhe permite identificar a origem de um estímulo sensorial (a visão, audição e tato confundem-se em uma representação perceptiva unitária), vivendo em estado de total "esplendor psicodélico" (sem a ajuda de drogas, frisa o autor). Assim, as interações da criança que envolvem a música promovem um processo integrativo de alto nível que permitem a exploração da linguagem generativa pelos balbucios e mais tarde pelas produções linguísticas mais complexas.

        Nesta nossa caminhada na Educação, e esforços de muitas áreas para implementação da Música na Escola, os argumentos , sejam eles baseados na Evolução humana, sejam baseados na busca do prazer, fomentam sempre a instauração da música e sua disseminação. 
Seja qual for o argumento defendido, observo que ambos têm sua participação na música.                           Observamos a melhora da linguagem, raciocínio, desenvolvimento psicológico e interação social em indivíduos que têm interação com a música desde a infância. Também é inegável que temos na música, seja qual for seu estilo de preferência do ouvinte, uma fonte de prazer e sensações que poucos estímulos tem capacidade igual. 
       O importante é que temos na música uma fonte de indução de sentimentos e emoções. E temos, hoje (e sempre?) uma grande carência disso. 

domingo, 15 de maio de 2016

Música: Para Que Te Quero?

     Tive, recentemente, a oportunidade de ver Ivan Lins no Auditório Araújo Viana cantando com a Orquestra de Câmara da ULBRA. Um espetáculo de música, personalidade e ideologia. Entre uma música e outra, uma breve conversa com o público e a reflexão do cantor sobre Música: "Temos que manter vivas as orquestras, preservá-las. Assim como lutamos para preservar as florestas, que tenhamos a percepção de preservar quem faz música de qualidade em nosso país. A música salva, dá vida. Onde há música, não há marginalidade" (lembrando aqui suas palavras). 
     Neste Novo Tempo, em que as lutas estão cada vez mais expostas e têm a chance (ainda) de serem lutadas, brigar e fazer acontecer a música na nossa Sociedade é uma utopia que já tem Lei, mas ainda tem pouca prática. O ensino de música nas escolas públicas e privadas do país, para todos os alunos da Educação Básica é, além de instrumento socializador e educacional, também uma importante ferramenta para que possamos entender melhor a vida!
     A partir de 2008, quando a Lei Federal nº 11.769 inclui um parágrafo 6º que torna conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, o ensino de música no componente curricular ensino de arte, previsto no § 2º do artigo 26 da LDB de 1996 . A questão a ser enfrentada, a partir desse momento é a da formação de professores especializados para o ensino de Música. Tarefa que levará algum tempo, muito mais que os três anos estabelecidos pela legislação, tendo em vista serem poucos os cursos de licenciatura em Música no Brasil (http://abemeducacaomusical.com.br/artsg2.asp?id=20). 
     Temos tantas batalhas para vencer na Educação: falta de recursos financeiros e humanos, desvalorização da educação e dos profissionais, descrédito na Educação pública, falta de oportunidade de qualificação e atualização dos profissionais atuantes, entre outras. Incluir o Ensino de música como obrigatoriedade, seria, mais uma batalha que teríamos de enfrentar. E, como todas as batalhas anteriores mencionadas, merecedora de todas nossas forças para que sua implementação seja efetiva. A ideia principal dos idealizadores que batalharam por essa proposta, não é a de formar músicos, mas trazer para o mundo da escola, a música. Dar noções básicas, leitura e escrita musical.  Facilitar o aprendizado; Formar cidadãos mais cultos e conscientes, capazes de valorizar e promover a diversidade cultural  brasileira, fortalecendo os laços comunitários. 
Neste Novo Tempo, (repito) quando ainda podemos lutar, uma batalha a mais na nossa formação de Pedagogia e nos cotidianos de nossas escolas.