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domingo, 10 de junho de 2018

21/05 A LINGUAGEM E SUAS TEORIAS

As teorias de aquisição e desenvolvimento da linguagem abordam diferentes aspectos dos indivíduos e suas interações com o meio. Na disciplina de Linguagem e Educação, estas teorias foram revistas e sintetizadas, assim como discutidas. 
Piaget estabelece relações recíprocas entre linguagem e pensamento, apontando as relações entre as manifestações das crianças (suas falas) e suas interferências no plano da construção do símbolo: “o símbolo é a precisamente a expressão da necessidade em que se encontra o espírito de projetar seu conteúdo sobre os objetos, à falta de consciência de si, enquanto que o progresso operatório está necessariamente ligado a um desenvolvimento reflexivo que leva a esta consciência e dissocia assim o subjetivo da realidade exterior”.
A linguagem não comparece, em Vygotsky, em sua dimensão puramente instrumental, mas assume um lugar central na própria estruturação e organização do pensamento: “A linguagem não serve como expressão de um pensamento pronto. Ao transformar-se em linguagem, o pensamento se reestrutura e se modifica. O pensamento não se expressa, mas se realiza na palavra”.
Wallon sustenta que a aprendizagem da linguagem promove um tipo de funcionamento em que a linguagem se antecipa ao conhecimento e à compreensão. Para o autor, a linguagem não se reduz a uma simples coleção de etiquetas das quais a criança extrairia noções que ela já consegue conceber realmente, pois “através do vocabulário e da sintaxe, ela tem, em potencial, um mundo de relações, de afinidades ou de oposições, que precedem o momento no qual ela receberá de sua aplicação a situações ou a objetos determinados, significações precisas”.
Chomksy defende que as crianças nascem pré-programadas para adquirir a linguagem e podem construir hipóteses sobre a língua em que estão imersas. Sua proposta procura dar conta da competência e criatividade do falante. Hoje em dia, outros argumentos são também invocados a favor de uma hipótese inatista, defendendo que a faculdade da linguagem não é um módulo da cognição.
Skinner e seu Behaviorismo Radical, no sentido de básico e essencial, afirmou que o aprendizado linguístico é análogo a qualquer outro aprendizado (todo o comportamento/aprendizado - lingüístico ou não - é visto como aprendido por reforço e privação). Considerando a aquisição desse modo, o behaviorismo acaba recaindo num processo indutivo de aquisição, porque considera somente os fatos observáveis da língua, sem preocupar-se com a existência de um componente estruturador, organizador, que possa estar trabalhando junto com os dados (experiência) na construção da gramática de uma língua particular.
Nestas revisões, nossas hipóteses são desafiadas a serem reelaboradas constantemente. É inerente que, a cada vez que retorno a este estudo, reformule minhas próprias ideias e reestabeleça novas possibilidades para compreender a linguagem. O importante é estar em constante movimento, pronta para as “dúvidas permanentes e as certezas provisórias” da vida.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

14/05 VEM BRINCAR COM A GENTE!

Naquela noite fria a professora logo nos lembrou que poderíamos ter ouvido de outrem ou de nós mesmas a seguinte frase: "Uma palestra sobre o brincar? Mas já sabemos tudo sobre o brincar! Precisa uma palestra sobre isso?" Neste momento, mesmo negando em meus pensamentos que tenha pensado isso, confesso que durante o planejamento do dia e deslocamento para a aula eu pensei isso sim! 
Já nesta abordagem a professora Tania Fortuna demonstrou toda sua experiência e conhecimento sobre o Brincar. Brincou, em diversos momentos, com nossos pensamentos, com nossas memórias e construções. 
 Nos mostrou que as brincadeiras são poderosos instrumentos de coesão social, até mesmo quando são brincadeiras de comunicação não-verbal. Que os jogos nos levam ao caminho do conhecimento mútuo, nos convocando para a verdade, assim como são excelentes indicadores de liderança demonstrando os papéis das pessoas em determinado grupo.
Nos demonstrou, através de exemplos vividos, que a sala de aula rica é aquela que oferece possibilidade de alternâncias de emoções, levando nossos ânimos da agitação à quietude. E numa vivencia de retorno à nossa própria infância, nos mostrou que somos seres carregados do que já fomos. Somos, na verdade, um somatório. 
"Todas as idades ficam em nós e vão colaborando: 
infância, adolescência, juventude, mocidade, maturidade, velhice-aparências do corpo.
A alma faz coleção." 
(Alvaro Moreira, Havia uma oliveira no jardim).

E referenciando Freud, conclui "só pode educar quem se reconciliou com sua própria infância".
Nos tornamos quem somos pelas brincadeiras. Quando "brincamos de ser, não precisamos ser". Brincar de ser bandido, brincar de ser princesa, brincar de matar, brincar de morrer...essas contraposições da personalidade, essas experiências que substituem a realidade: A Vicária.
Nos levou também pelas mãos na reflexão dos significados da morte: uma construção de entendimento da permanência da ausência. Entender a perda, a morte, é interiorizar a falta, é "levar o que perdemos dentro de nós". 
Naquela noite, cansada e atrasada, pensei se seria importante uma palestra sobre o Brincar. Muitos novos conhecimentos foram agregados. O inesperado, no entanto, foi perceber que  os fatos da vida estão presentes sempre, até quando estamos brincando.
Brincando desenvolvemos e expandimos nossos limites externos e internos.
Obrigada, Professora Tania Fortuna!

terça-feira, 13 de março de 2018

12/03/2018 FALA QUE EU TE ESCUTO

Cresci ouvindo algumas histórias sobre minhas primeiras palavras e as engraçadas trocas de letras que eu fazia. As musiquinhas infantis que eram cantadas com palavras inventadas ou imitadas, tornando-as mais encantadoras ainda. Nestas memórias, também identifico, domesticamente, os mesmos padrões em meus três filhos, cada um com suas particularidades. É encantador ver como as crianças desenvolvem sua linguagem, desde os primeiros balbucios dos bebês e seu imenso esforço em tentar imitar as falas, até a fase em que iniciam a elaboração de frases e contextualizar as ideias, organizar os pensamentos e transmitir os seus desejos, angústias e observações do mundo.
Na aula presencial de ontem, professora Ivany Souza Avila nos apresentou estes primeiros instantes de reflexão sobre o processo de aquisição da linguagem. 
Observo que a linguagem e seu desenvolvimento não se restringem somente a estes estágios iniciais da vida, mas prosseguem pela vida toda. Isso vejo na linguagem dos alunos, no modo de falar, na maturidade em desenvolver suas frases e pensamentos e aquisição de novas palavras que enriquecem toda sua comunicação. O desenvolvimento da linguagem é constante, oportuniza um aperfeiçoamento que amplia nossas possibilidades diante do mundo e dos outros.
Assim como aprender um novo idioma representa toda a reorganização mental para a comunicação. 
Inicialmente, ofereço esta pequena reflexão sobre a linguagem oral, mas tenho consciência que ela é muito mais abrangente que isso: o corpo fala, a escrita fala, os movimentos falam. E todo este conjunto enriquece nossa linguagem, nossa ferramenta de comunicação com o mundo.
Falar, é somente o início de um grande processo que é a linguagem. Esta, muito mais ampla do que somente "falar". 
Foi uma noite enriquecedora e muitos aprendizados virão com esta disciplina. Bastante animada com isso!