quinta-feira, 14 de setembro de 2017

QUEM SOU HOJE, QUEM SEREI AMANHA?

 Propus uma reflexão com uma turma de sexto ano do ensino fundamental com a temática "Como sou hoje, como serei amanhã" com o objetivo de abordar não somente as características físicas e como se caracterizam, mas também destacar questões comportamentais, sociais e alterações físicas que observam em sua puberdade. Também com o intuito de destacar a questão dos projetos pessoais futuros. Os alunos receberam folhas em branco e após explicação da atividade fizeram representações suas atuais e como imaginavam seus corpos/ suas vidas no futuro.  A atividade demonstrou, primeiramente, uma dificuldade dos alunos em projetar/ imaginar o seu próprio futuro, questionando-me com frequência “como posso saber o que vou ser no futuro? ” Esse questionamento me angustiou pelo fato de não projetarem seus futuros, uma ausência de projetos de vida. Assim, debati bastante com a turma sobre desejos, atitudes que nos ajudam a alcançar os objetivos e a importância de ter projetos de vida que guiem nossos desejos e metas para o futuro.  Após essa barreira inicial, demonstraram dificuldade em retratar suas próprias características, pois muitos não se sentem satisfeitos com o próprio corpo. Debatemos sobre as transformações que o corpo sofre na puberdade e que eles observassem as mudanças que já apresentam (comparativamente aos anos anteriores). Com a reflexão pessoal, fizeram suas caracterizações atuais e imaginaram outras transformações físicas que sofrerão, mas também mudanças nos aspectos sociais e econômicos que almejam. Em relação às questões de etnia, uma aluna relatou que “vou deixar o corpo em branco porque não tem a minha cor para pintar”. A mesma aluna relatou que “não gosta de seu cabelo” e o retratou diferentemente do que se apresenta.
Outra aluna relatou que “gosto do meu cabelo cacheado” e quer ele maior no futuro. Ao pintar a pele do seu desenho, solicitou o lápis “cor de pele” caracterizando sua pele como rosada. Uma terceira aluna também buscou o lápis “cor de pele”, mas selecionou o lápis marrom. Não pintou sua imagem de “futuro” por falta de tempo para concluir a atividade. Os meninos não relataram alterações físicas tanto quanto as meninas, mas enfatizam suas mudanças em relação a questão econômica (ter dinheiro, ser rico).
Alguns alunos não manifestaram nenhuma caracterização em relação às suas características étnicoraciais. Esta imparcialidade pode significar que este debate precisa ser mais presente entre os alunos, mas também pode ser interpretado como uma negação a essas questões, diminuindo sua importância e relevância em toda sua construção histórica e social.
Os alunos demonstraram gostar da atividade, embora tenha gerado um desconforto inicial que foi acalmado após o debate. Quis realizar a atividade sob o enfoque das transformações biológicas e projeções que fazem para o futuro, mas inevitavelmente as questões étnicas surgiriam
(intencionalmente). Acredito que um desdobramento possível desta atividade seja aprofundar o debate sobre a cor da pele (seu significado biológico e as questões sociais que permeiam este tema), a importância de pensar no futuro (gerando esperança e planejamento nestes jovens) e elucidar sobre as transformações das fases da infância, puberdade e vida adulta. 
Referência: 
BRASIL, Lei LDB. Orientações e ações para a educação das relações étnico-raciais. MEC/Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade–Brasília, 2006.

sábado, 2 de setembro de 2017

BEM VINDO, EIXO 6!


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Um novo semestre se inicia. Em cada retorno faço este texto cheio de boas intenções que inspiram para o bom andamento do semestre. Neste não farei diferente e registrarei meus votos. Mas neste semestre percebo que os votos são em busca de maior tranquilidade para que possamos crescer. Fazemos tudo em solavancos, em desesperos, em sustos. Neste espaço, o crescimento e a reflexão ficam inertes perto dos prazos, dos limites e dos tempos que dedicamos para cada coisa que faz a nossa vida girar.
Hoje a temperatura mudou muito. Ontem estava bastante parecido com um dia de verão e hoje estamos, novamente, encasacados. No sinal de trânsito, com os filhos no banco de trás, observamos um homem sentado no chão, com poucas roupas e demonstrando muita serenidade. Não parecia ter frio, não demonstrava incômodo, não esboçava um momento ruim. Apenas segurava nas mãos uma revista. E Ao seu lado uma pilha de revistas. E nos seus olhos, a leitura da revista. E nas nossas mentes "Qual será a história de vida deste homem?"
Como uma pessoa mora nas ruas? Será que tem pais vivos? Esposa, filhos? Será que trabalhava? Será que tinha um cachorro? Onde morava? Quando nasceu? Como era sua vida antes de viver na rua?
Estas perguntas foram feitas por meus filhos, no banco de trás. Que encaravam essa realidade tentando compreendê-la. E fiquei ali, sem respostas para todas elas. Apenas observamos. Abriu o sinal e seguimos.
E neste semestre vou seguir assim, às vezes terei respostas, às vezes seguirei sem respostas. Mas não deixarei de perguntar. E as pessoas que por nós passam, com suas histórias de vida, também não saberemos como chegaram onde estão agora. Talvez conheçamos algumas etapas, mas as histórias são muito complexas. E quando o "sinal abre" a nossa vida segue e ficamos sem as respostas que procurávamos.
Na nossa trajetória de professores/ pesquisadores/ investigadores focamos o olhar e afinamos os ouvidos para as histórias, para as construções e para o crescimento. Buscamos respostas, que muitas vezes, não são encontradas. E oferecemos nosso trabalho como ferramenta para a mudança da realidade, para o crescimento e para a vida.
Quando o sinal abrir, seguiremos. Pensaremos (ou não) nas histórias que cruzam nossos caminhos. Mas não cansaremos de querer saber e tentar responder.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

FINALIZANDO O SEMESTRE

 Esta é a décima quinta postagem deste semestre. Por aqui acaba esta parte do curso, esta atividade semestral de alimentação do Portfólio de Aprendizagens. Não serão mais que quinze postagens dados os prazos que estão nas minhas costas, um a um, avisando que o tempo está se esgotando. É, particularmente, uma atividade que gosto. Sinto prazer e um alívio ao escrever, mas como toda atividade, requer tempo e tempo é uma questão de prioridade!
Neste semestre aprendi muitas coisas. algumas coisas da pior maneira possível: através da pancada, do baque, da imposição. Aprendi que a palavra 'FOCO" não significa importância ou prioridade, tampouco "olhar melhor". "Focar no aluno" foi, sem dúvida, a frase que marcou a nova gestão da prefeitura de Porto Alegre. Devo estar me tornando repetitiva em criticar essa nova gestão e seus decretos mas não consigo desvincular meu trabalho e minhas reflexões da situação que estamos vivenciando.
A qualidade da Educação é um tema que gera muita polêmica em diversos setores da sociedade. Muitos entendem (erroneamente) que a Educação é um setor do desenvolvimento do país que pode acontecer de maneira aleatória, que seu sucesso depende somente do rigor dos estudos, afinco dos estudantes, condições de infraestrutura das escolas e dedicação dos professores. Temos excelentes "profissionais" em Educação palpitando o que nos falta para que a Educação do país seja, efetivamente, de qualidade.
Em um país com alto índice de desigualdade social, a Educação de qualidade seria a que proporcionasse maior acesso (de maior número de pessoas) ao conhecimento, condições estruturais e de desenvolvimento. Neste sentido, estamos na contramão da Educação de Qualidade, dadas as circunstâncias políticas que temos e o sucateamento desmedido da educação e das políticas públicas que visam melhoria de acesso para toda população. Estamos perdendo a fé na Educação, na possibilidade de ascensão social e realização pessoal e financeira que ela viabiliza.
Temos, desde a educação infantil, educação básica e superior, uma assimetria (conjunto de desigualdades) que dificultam nosso trabalho de qualidade, nosso crescimento como nação e progresso das diferentes classes sociais e econômicas. No entanto, o financiamento da educação é uma política de valorização da educação, articulando uma educação com acolhimento, projeto pedagógico amplo e que garanta a permanência dos cidadãos na escola/universidade.
A valorização do professor é também uma ferramenta de qualidade na educação ao passo que lhe oferece condições de realizar seu trabalho com dignidade e qualidade. Precisamos buscar a qualidade na educação, sem esquecer que esta acontece através de infraestrutura adequada, laboratórios, pagamento de pessoal, recursos metodológicos, etc.
Secretário Municipal de Educação, Adriano Naves de Brito, defendeu decreto do Executivo e ouviu muitas vaias e protestos de professores da rede municipal. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
As condições de vida dos alunos e de suas famílias, seu contexto social, cultural e econômico e escola professores, diretores, projeto pedagógico, recursos, instalações, estrutura organizacional, ambiente escolar e relações intersubjetivas no cotidiano escolar são dimensões que refletem na qualidade da Educação (DOURADO, 2007). Neste movimento de envolver a sociedade e o que ela quer como qualidade é que conseguiremos construir a Educação de qualidade que tanto buscamos (através do Conselho Escolar, construção do Projeto Político Pedagógico, participação da comunidade escolar nas decisões da escola, etc). Assim, a busca de uma boa infraestrutura é um dois fatores que contribuem para esta desejada qualidade e podemos equipar a escola com materiais adequados, laboratórios, projetos de aprendizagem através de financiamento como o PDDE e PDE. As dimensões, intra e extraescolares, devem ser consideradas de maneira articulada na efetivação de uma política educacional direcionada à garantia de escola de qualidade para todos ( DOURADO & OLIVEIRA, 2009). Entendemos, então que as dimensões intra escolares são os componentes que permeiam o cotidiano e construção da escola (alunos e de suas famílias, ao seu contexto social, cultural e econômico e à própria escola professores, diretores, projeto pedagógico, recursos, instalações, estrutura organizacional, ambiente escolar). As dimensões extra escolares refletem as políticas públicas a que estamos sujeitos, os financiamentos, a sociedade e suas opiniões/ visões sobre a Educação e a qualidade que esta deveria ter/tem.

Se a nova gestão tem seu foco no aluno e na melhoria da qualidade da educação, está agindo por caminhos tortuosos e conturbados. Além disso, antidemocrático. Assim, conquistou a antipatia dos educadores, provocou nossa dignidade e atacou nossa reputação que foi construída em pilares que visam o desenvolvimento integral do aluno, seu bem estar e sua autonomia.
REFERÊNCIA
DOURADO, Luiz Fernandes, in Educ. Soc., Campinas, vol. 28, n. 100 - Especial, p. 921-946, out. 2007.
DOURADO, Luiz Fernandes; OLIVEIRA, João Ferreira de. A qualidade da educação: perspectivas e desafios. Cadernos Cedes, Campinas, v. 29, n. 78, p. 201-215, 2009.

domingo, 2 de julho de 2017

OLHANDO DE NOVO, COM NOVOS OLHARES

Quando retomamos nossas próprias escritas revisitamos quem éramos quando as escrevemos. Assim me vejo quando releio as postagens que analisamos para a disciplina de Seminário Integrador V. Quando tivemos a tarefa de classificar quantitativamente nossa postagens (e de uma colega também), pudemos observar que nosso modo de pensar e escrever se modificou significativamente. Temos a oportunidade de retomar nosso pensamento, reorganizar  as metas e planos e traçar novos caminhos para seguirmos na Pedagogia.
Neste caminho, que não é fácil, vejo que minha análise crítica está cada vez mais atuante. Questionando ou refletindo, descrevendo ou devaneando, não importa qual a classificação da nossa escrita...o importante é que ela reflita nossa capacidade de argumentar e expressar o que estamos pensando. E nos enganamos muito quando pensamos que escrever o que (realmente) pensamos é fácil. Ao expressar, preciso pensar como alguém (que não sou eu mesma) ouviria o que escrevo e como poderia absorver o significado do conteúdo da escrita. Claro que não sou ingênua de pensar que as pessoas interpretarão o que escrevo da mesma maneira que penso, mas aí está o grande exercício da escrita.
Neste exercício, onde podemos utilizar argumentos já embasados sobre o que escrevemos, temos nas mãos (concretamente) nosso pensamento. E por que não dizer, nossa individualidade.
Nesta semana de tarefas finais do V eixo e início da escrita do documento de avaliação para o workshop, me revisitar é sempre um desafio. A todo momento volto e vejo que a Maria que escreveu já mudou alguma coisa em seu pensamento. Mas também reencontro a Maria que tem suas ideias solidificadas, mas que sempre estarão disponíveis a outras novas ideias.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Madrinha Maria: Projeto de Extensão Adote um Bixo!

Finalizo nesta semana o projeto Adote um Bixo!
 A conclusão deste projeto, por si só, já demonstra a superação de dificuldades e o amadurecimento de ambas partes envolvidas. Nesta conclusão rememoro as etapas propostas e penso que, em cada uma delas, uma reflexão diferente foi proposta. Nestas reflexões, olhamos para a aluna "Bixo" pensando em como auxiliá-la, mas também nos olhamos por outro ângulo: "como gostaríamos de ser ajudadas".
Recentemente assisti a apresentação da Gislane da Silva Dorneles na disciplina de Psicologia e pude constatar o incremento em sua autoconfiança, sua desenvoltura e apropriação dos conceitos trabalhados. Fico satisfeita que tenha superado muitos dos seus "medos" e que os desafios tenham servido de estímulo à conclusão dos semestres que vivemos até aqui.
Nesta conclusão do projeto, o sentimento é de gratidão e satisfação por ter aprendido neste processo e ter crescido juntamente com a aluna que eu tinha a missão de "auxiliar". Em verdade, me aproprio do ganho maior, pois vejo também meu crescimento após este projeto. E que a Bixo siga seus caminhos sempre contando comigo e enfrentando suas limitações. Cada limite, um novo degrau superado!
Certamente coisas boas aconteceram. Mas este projeto teve também alguns momentos de incertezas e instabilidades. Hoje, retomando a escrita deste, avalio como um pouco tardia a finalização desta avaliação. Gostaria de ter feito uma autoavaliação e avaliação do projeto imediatamente após a conclusão do semestre em que tive mais contato com a aluna "bixo". 
Observei certa moderação da aluna em me consultar, por diversas vezes eu mesma procurei a aluna e ofereci auxílio. Aparentemente, esta "não queria incomodar". De maneira alguma e em momento algum houve restrição em auxiliá-la. Mas foi necessário um pouco de persistência de minha parte. Sei que ela superou diversas de suas dificuldades iniciais, e isso me orgulha e contenta. Vejo que conseguiu transpor barreiras que ela mesma pensava que não conseguiria. Pude ler e fazer algumas observações no seu documento avaliativo. Considero que houve bastante amadurecimento e incentivo para seguir no curso, superadas as dificuldades iniciais. E isto é uma das principais coisas boas que aconteceram.




quarta-feira, 14 de junho de 2017

E SEGUE O DESMONTE...

Desde o início do ano letivo de 2017 os professores da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre vem recebendo "novidades" implementadas pela gestão do novo Prefeito. Com autoritarismo e intransigência, decreta as mudanças e negocia nossos direitos em troca da adesão às tais mudanças. Iniciamos o ano sem nossa habitual vontade motriz, apedrejados por acusações e humilhações que não são ditas com tanta veemência para outros cargos do funcionalismo público. Nossos planejamentos anuais foram feitos quase individualmente, não pudemos pensar em ações coletivas, tampouco temos mais nosso horário semanal de articulação nas escolas (suprimidas as reuniões de professores). As informações sobre a escola e alunos, bem como trabalhos que estão em andamento são, agora, anunciados via mural ou individualmente para cada professor. A reunião semanal, que para muitos parecia ser desculpa para "liberar alunos e professores saírem mais cedo", ou "espaço para os professores ficarem falando bobagem" ou ainda espaço para que "ficassem livres dos alunos" era/ é um momento crucial para o desenvolvimento dos trabalhos de qualidade que desenvolvemos na escola. Não eram momentos, sequer, parecidos com os mencionados nas aspas acima. Eram momentos de articulação, de sintonia, de planejamento e discussão.
Aderimos (ou fomos obrigados a aderir) à nova rotina escolar que, entre tantas perdas para os alunos e para a escola, nos dá de presente a perda da coletividade e também enfraquece a democracia, abafa as luzes que antes elucidavam as questões e prioriza os pensamentos individuais.
Ontem, fomos surpreendidos com outra novidades: nossa equipe diretiva era composta por diretor e duas vice-diretoras. Uma delas será retirada do cargo porque a escola não se enquadra nos critérios de mais de 1100 alunos. Atendemos os três turnos da escola e ainda contamos com turmas integralizadas. Estas três pessoas atuando em conjunto garantem que a escola permaneça com seu bom funcionamento e tenhamos as demandas básicas atendidas. Uma dessas vice diretoras retornará às suas funções originais. Desarticula, desmobiliza, desestrutura: os três "Ds" da gestão Marchezan.
Com isso, cremos que a prefeitura terá uma economia "significativa" ao não precisar pagar as gratificações que tais cargos oneravam (não vamos discutir aqui as absurdas gratificações dos cargos de confiança que a prefeitura tem).
Em muitas escolas há falta de professores e novos professores concursados esperam um chamamento para assumirem seus cargos do último concurso ainda vigente. Com isso, também vemos a "economia" que a prefeitura pensa que vai salvar a nossa situação econômica.
Adriano Naves de Brito, nosso secretário de Educação, em 2016 escreveu "Gente aprende é com gente e para ensinar gente é preciso gente...A razão para isso é que a profissão exige uma heurística humana, quer dizer, a capacidade, que nos é típica, de solucionar problemas por meios aproximativos, avaliativos, intuitivos e calibrados por resultados empíricos e não por algoritmos exatos, o que está na base da dificuldade de realizar a tarefa por via inteiramente computacional."
Infelizmente, o escritor esqueceu-se de seus princípios e ideais, transformando nossa educação em um aglomerados de robôs desarticulados e individualistas, máquinas de educar, desprovidas das capacidades que menciona no texto como "heurística humana". Precisamos de GENTE para educar, concordo. Precisamos de PROFESSORES para que a EDUCAÇÃO mude. Mas também precisamos lembrar que pessoas são feitas de conhecimento, histórias e competências que vão além do registro do cartão-ponto, que escolas não são depósitos de crianças e que Educação se faz, sim, com DEMOCRACIA. Volta para a escola, professor.
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"Metropolis" (1927), de Fritz Lang. Uma reflexão tão atual que parece um enredo dos dias de hoje.







segunda-feira, 12 de junho de 2017

VAMOS PENSAR DEMOCRATICAMENTE!

Nas disciplinas de Organização e Gestão da Educação e Organização do Ensino Fundamental, discutimos e trabalhamos os conceitos de gestão e suas características. Pensando no modelo de gestão democrática (e este seria o modelo desejado para a construção da Educação que  acolhe os anseios da sociedade atual), vemos que nossas tentativas por ter as características dessa gestão em nossas organizações é, muitas vezes, uma utopia.
 As relações horizontais são um verdadeiro desafio nos processos organizacionais, em todos sentidos. Pensamos que é um modelo ideal de decisão e gestão de pessoas e ambientes, mas gera uma série de conflitos e até pode dificultar o processo decisório. A parte dificultosa é tanto para o gestor quanto para as partes gestadas. Porque, penso, que as pessoas confundem a horizontalidade com a livre e deliberada opinião sobre os assuntos de forma desfocada e, por vezes, egoísta; assim, torna-se um processo dificultoso, demorado e com muitos conflitos. Digo que seria o modelo ideal por levar em consideração as reivindicações de todas as partes envolvidas e a partir destas, o processo decisório seria tomado. Mas nestas construções, muitas vezes as pessoas se perdem e não conseguem ver o coletivo como parte importante deste processo. Assim, o gestor fica no meio de uma série de alternativas, perdido, sem conseguir construir coletivamente e horizontalmente as decisões necessárias, já que estas tencionam para diversas partes. É desafiador. Fossem sempre possíveis, as decisões horizontais seriam o reflexo das reivindicações de professores, alunos, pais, funcionários e toda comunidade escolar. Muitas vezes, não são possíveis essas tomadas de decisão (ou não há vontade de que estas sejam possíveis).
O gestor e a gestão democrática: por sua posição de gestor, muitas vezes terá de exercer seu papel de representante da Instituição de maneira autoritária, quando os interesses coletivos competem ou conflitam com as pressões que os gestores sofrem pelas Mantenedoras. O exemplo nítido dessa situação encontra-se no posicionamento de muitas equipes diretivas frente ao decreto da adoção da nova rotina escolar no Município de Porto Alegre. Pressionados, e cientes das perdas que os alunos sofrem com a nova rotina, direcionaram as negociações para que a nova rotina fosse adotada, dadas as dificuldades de gestão e organização que se impõem às escolas que não se enquadraram. Mesmo que a comunidade seja contrária, muitas escolas aderiram. Nesta circunstância, a posição autoritária, disfarçada de democrática, prevaleceu. Infelizmente.
Identifico mais características da gestão democrática-participativa na escola em que atuo, embora em algumas situações os gestores atuem de forma técnico-científica. A defesa de uma forma coletiva para tomada de decisões é predominante na escola, assim como não exclui a necessidade da coordenação mesmo sob a presença da gestão participativa.

REFERÊNCIA
LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática; 6ª edição, São Paulo, Heccus Editora 2013