domingo, 25 de dezembro de 2016

Avaliando, reavaliando!

Semana de conselhos de classe. Conceitos, pareceres e avaliações finais. Aquela correira que, todos sabemos, envolve o final de ano letivo nas escolas. 
Aprovações e reprovações, progressões ou manutenções. Independentemente do nome ou do tipo de avaliação das escolas, avaliar é sempre uma tarefa que exige muito dos professores. Não é somente um trabalho braçal de preparo de avaliações e trabalhos e suas correções. É, sim, um trabalho mental exaustivo e que requer, acima de tudo, foco na evolução do aluno, seu aprendizado e seu crescimento.
Avaliamos nossos alunos e temos, sempre, um olho também nos avaliando. Este olhar que é nosso, somente nosso, avaliando nosso trabalho que se espelha no desempenho das crianças. Exigimos tanto deles, queremos ter o seu melhor, quando na verdade queremos extrair isso de nós mesmos. O aluno que não tem um bom aproveitamento é, para nós, uma grande tristeza e desafio. Queremos que todos possam usufruir do aprendizado e ter um bom rendimento.
Avaliamos, além de notas e conceitos, as histórias de vida e a evolução dos alunos. Suas atitudes, seus aprendizados, sua capacidade de ser autônomo e responsável. Enfim, tudo o que a educação pode trazer de melhor para o ser humano: independência e conhecimento. 
Na avaliação dos alunos, nos avaliamos e reavaliamos nosso trabalho e os aproveitamentos  de cada aprendiz. É importante nosso olhar atento à reavaliação, sempre. Ser capaz de se olhar, olhar para trás e ver o que éramos antes e o que somos agora. Objetividade, nesta hora, talvez não seja o melhor. Subjetivamente temos um olhar voltado para o TODO do aluno. 
Ótimas reavaliações para todos!

sábado, 24 de dezembro de 2016

Não consigo me desprender. Mas será que preciso?

Tenho observado que minha postura diante das atividades da Interdisciplina Representação do Mundo pela Matemática estão muito ligadas às aulas de Ciências. Nas propostas de atividades da disciplina a adaptação para nossa sala de aula e alunos é um verdadeiro desafio. Inserir os conceitos matemáticos em nosso cotidiano, que muitas vezes já está bem estabelecido) é um pouco desestruturador.
O desfio da semama era pensar em atividades que trabalhassem conceitos envolvidos na temática Espaço e Forma.
Em Ciências algumas atividades me ocorrem, neste momento, que são requisitadas as habilidades de localização espacial e geometria. Quando trabalhamos os conceitos de cadeias e teias alimentares, os alunos precisam reconhecer no emaranhado de transferências de energia, quais seres vivos são produtores, consumidores primários, secundários, etc. Nestes conceitos, além de ser necessário o conceito de cada nível trófico, precisam ter a percepção de localização de cada ser vivo, e com isso, a indicação de seu papel na teia apresentada.
Outro momento que me recordo é através da aplicação de um exercício que demonstra a montagem de um esqueleto humano. Nesta atividade, precisam reconhecer quais ossos constituem o lado direito e esquerdo do corpo. 
Uma das experiências que envolviam o espaço, que já fiz com alunos, foi um coração animado. Através do estudo do sistema cardiovascular, os alunos foram divididos em grupos de "sangue rico em oxigênio" e "sangue rico em gás carbônico". Nesta divisão, deveriam identificar, num coração desenhado no chão, onde deveriam se localizar. À medida que a circulação iniciava e progredia, deveriam ir se reposicionando. Carregavam plaquinhas que os identificava. No entanto, à medida que a circulação evoluía, o sangue também se modificava, pois ocorre a utilização do oxigênio pelo organismo, em como renovação do sangue nos pulmões. Então, nestes locais, precisavam estar atentos para alterar o lado da sua plaquinha, indicando a mudança do tipo de sangue. Uma atividade dinâmica em ciências, envolvendo a localização espacial e a dinâmica da circulação sanguínea.
Não sei se estou na direção correta de minha formação ao adaptar as atividades desta maneira. No entanto, é o que eu faço. Será que preciso me abster dos conceitos de Ciências para trabalhar os conceitos matemáticos? Será que preciso?

Nada será como antes, mas sempre será!


Era para ser um trabalho da Interdisciplina Representação do Mundo pelos Estudos Sociais, mas tornou-se uma jornada interna aos sentimentos. Nossas memórias e guardados, nossos registros de momentos, nossas ideias e pensamentos ficam, muitas vezes, esquecidos num lugar que não sabemos identificar. Temos a certeza de poder retornar a este lugar e reviver tudo, mesmo que por lembranças, mas não praticamos este exercício de reflexão e autoconhecimento. Mas para fazer o mencionado trabalho, pratiquei. E foi muito bom!
Para iniciar a escrita foi necessário, primeiramente, repensar que registros eu tinha da minha caminhada como professora. Iniciei revendo fotos bem antigas, da primeira turma. Foi em 2005. Aprendendo a cada dia com aquelas turmas que foram verdadeiros desafios, não por suas atitudes ou questionamentos, mas por minha inexperiência docente. Nem imaginam quanto me ensinaram! E com esta primeira turma estava também meu primeiro celular com câmera. Antes do celular, não tinha nenhum registro meu com alunos. Então, para dar continuidade ao trabalho pensei em fazer uma retrospectiva. Logo mudei de ideia porque percebi, que ao observar minhas fotos antigas, a intenção das fotos era diferente das fotos que temos hoje. Por isso, selecionei fotos de 2005 e de 2015.

Neste intervalo de década, muitas coisas mudaram. As câmeras evoluíram, os celulares ficaram mais potentes. Rapidamente se obtém uma fotografia de alta qualidade, se observa em uma tela de boa definição e se pode compartilhar ou arquivar a foto. Não somente estas características mudaram, como minha relação com as fotografias de celular. Os momentos registrados ou as intenções de registro se alteraram. Nossa perspectiva com as fotografias mudou. Registrar para ver depois, relembrar depois, não é mais como era há uma década atrás.
Nas fotografias de 2005, notoriamente em qualidade inferior às fotos atuais, predominavam registros de momentos escolares mais específicos: especiais, eventos, atividades diferenciadas da rotina. As fotos atuais carregam um conteúdo quase de registro diário, talvez uma ânsia de manter cada momento eterno nas fotografias. Perdi o pudor de registrar, aumentei o repertório de “interesses” fotográficos e tornei a câmera uma espécie de HD externo da mente. Mesmo registrando tanto, não costumo revisitar estes registros. Sei que estão salvos nos arquivos. Sei que se precisar recordar, basta ir na data desejada e encontrar o registro.
Uma possibilidade de aprendizagem ou manipulação? Os dois! Revisitar os fatos possibilita a aprendizagem e a reflexão. Notei que minha postura era diferente, lembrei de como eu pensava diferente. Rever aqueles momentos traz de volta, na memória, os sons, cheiros e pensamentos que tinha no momento da fotografia. Não registrava banalidades ou registros de “vou fotografar, pois posso precisar desta informação depois”. Fotografava para ter um registro de um momento importante, algo que estava fora dos momentos habituais e que merecia um registro. Ainda carregava comigo o pudor das máquinas fotográficas com filme, quando registrávamos com muito cuidado os momentos que caberiam nas 12/24/36 poses.
Nas fotos atuais o viés “para recordar” existe em menor intensidade. Predomina “vou usar depois, vou compartilhar, vou mostrar”. Neste sentido a manipulação da memória se encarrega de demonstrar que a perspectiva de registros mudou bastante. Os momentos fotografados são sim registros para lembrar, mas (muito mais) para mostrar, testemunhar, ter para ver depois, compartilhar.
Os nossos hábitos mudam, as coisas que nos rodeiam mudam, e nossa impotência diante do tempo e do espaço permanecem. No entanto, o que foi (o que vivemos), permanece, fica. O que aconteceu, o que éramos, para sempre será!

Referência:
FELIZARDO, Adair; SAMAIN, Etienne. A fotografia como objeto e recurso de memória. Discursos fotográficos. Londrina, v.3, n.3, p.205-220, 2007. Disponível em: <http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/discursosfotograficos/article/view/1500/1246> Acesso em: 20 set. 2016.


domingo, 11 de dezembro de 2016

Correndo para viver, vivendo para correr!


Faz pouco tempo que descobri um novo amor na vida. Um amor que chegou e abalou meus conceitos sobre exercício físico. Sacudiu meus hormônios, meus neurônios, meus músculos e nervos. Me tirou da inércia e deslocou, além de meu corpo por diversos quilômetros, minha mente. 
Mas o que um texto que inicia assim pode ter de relação com os aprendizados do PEAd?  
Quando começamos a correr, ou quando iniciamos uma corrida, o primeiro pensamento que nos vem é "o que estou fazendo aqui, de novo?", "parece que não aprendo, que teimosia!" e um mais dramático "não vou conseguir". Com o tempo e com o aquecimento, a dificuldade inicial é superada e inicia-se uma fase de puro deleite. O vento que bate no corpo suado alegra até a alma mais resistente e o músculo aquecido responde com uma eficiência de dar gosto. Depois de um tempo o entusiasmo inicial diminui, conseqüência do cansaço físico. nessas horas o cérebro manda mensagens de "dá uma paradinha, que mal há?" ou então "chega, você já está cansada demais, para que isso?" Nessa hora é importante ocupar a mente, contar a freqüência respiratória, imaginar locais no caminho que deseja alcançar, focar em algum corredor que esteja à frente e tentar alcançar, etc.Com tantos exercícios mentais a dificuldade que estava tomando conta some e inicia uma nova fase: o entusiasmo do final. Vai chegando a quilometragem almejada e uma mensagem de "falta pouco, prossiga" faz qualquer falta de estímulo sumir. E assim completamos os treinos semanais, as quilometragens desejadas, as provas de rua e os desafios pessoais que travamos. Assim, o que parece um martírio para quem vê externamente, é na verdade, um processo de grandes benefícios para quem pratica.
Quando pensei em escrever este texto, pensei nas analogias que a corrida tem com minhas atividades como professora e como aluna. Sim, ser professora e acadêmica de Pedagogia mexe com os músculos e nervos também! É preciso muita força e nervos de aço para suportar os desafios que se apresentam!
Quando iniciamos mais um ano letivo ou um novo semestre, o pensamento de "o que estou fazendo aqui, de novo?" sempre surge. As expectativas nos trazem também ansiedade e pensamos que não gostamos do que está acontecendo, mas logo tudo muda. Os alunos são conhecidos, as disciplinas são desvendadas e logo compreendemos a razão de ali estarmos novamente: reclamamos, mas gostamos muito do que fazemos!
Não demora muito e as dificuldade surgem: falta de tempo, dificuldades das disciplinas, alunos indisciplinados ou com dificuldades, planejamentos que não conseguimos concluir, etc Com isso um desânimo nos assombra e precisamos ser fortes para superar e prosseguir. À medida que isso acontece, vamos nos aproximando dos nossos objetivos iniciais e o ânimo retorna. A proximidade do final, do aprendizado, da superação nos dá um empurrãozinho a mais para completar a nossa "corrida".
E assim, findamos os semestres e anos letivos: cansadas, exaustas, aparentemente desgostosas do que fazemos, mas na verdade temos uma satisfação que só quem trabalha com Educação compreende. Superar os limites internos e ver outros superando limites com nosso auxílio é prêmio dos mais valiosos. É primeiro lugar no pódio, é o "melhor tempo", é a corrida perfeita.
Enfim, neste semestre retomei minha atividade física. Com menos tempo ainda (pois agora tenho mais um bebê), preciso de mais organização para concluir minhas atividades, cumprir minha rotina de trabalho, conciliar minha vida pessoal e profissional. Algumas coisas andam "penduradas por aí, confesso, mas assim estão por necessidade ou por opção de priorizar outros momentos da vida. Espero ser justa neste balaço tempo/prioridade. O tempo corre e não volta. 
Boa corrida pra você também!




domingo, 23 de outubro de 2016

Inspirando Meninas, empoderando Mulheres

Hoje encontrei uma notícia. Se é uma novidade, não sei ao certo. Mas para mim foi! 
Com muito medo de me tornar repetitiva neste espaço e temática, mais uma vez retorno ao ponto da desigualdade de gêneros. E as mulheres, com todo seu poder e inteligência, são colocadas em lugares inferiores aos homens. E as meninas que crescem vendo esta desigualdade, entendem que, por mais que façam, serão sempre "apenas menininhas". 

As meninas devem deixar de ser "menininhas"? De maneira alguma. Todas os adjetivos que atribuem às "meninas" podem ser usados, desde que não as inferiorize ou desqualifique. São bonitas e vaidosas (mas não são somente isso), verdadeiras "flores em nossos jardins" (mas não são frágeis e indefesas), princesinhas que gostam de cor-de-rosa e lilás (podem gostar da cor que quiserem e não estão à espera de príncipes), "devem se comportar como uma menina" (desde que este comportamento abranja tudo o que ela desejar fazer, sem impedimentos por ser uma menina). Enfim, as "qualificações" são diversas e infinitas.
No site  http://www.garotasgeeks.com/livros-infantis-mostram-mulheres-que-fizeram-historia-na-ciencia-e-inspiram-meninas/ há informação sobre uma coleção de livros que trata de mulheres de todos os períodos que fizeram grandes descobertas e foram importantes para a ciência, falando sobre sua história e seu trabalho.
O objetivo é desconstruir a velha concepção de que a Ciência é masculina. Muitas mulheres fazem/ fizeram a Ciência. Muitas, ainda (mesmo), permanecem sob os nomes de seus colegas de pesquisa. 
Podemos querer ser princesas e pesquisadoras, ou não ser nada disso. O importante é que as mulheres POSSAM escolher seus caminhos, traçar suas histórias de acordo com seus desejos e que NENHUMA atividade seja "demais" para uma menina.

No tempo que não temos!

Formalmente trabalhamos com o tempo em sala de aula como uma questão estipulada em que nos enquadramos e assim, também, nossos alunos. Sim, temos conteúdos para “vencer”, temos uma lista de conhecimentos que constituem determinada fase da escolarização que nos obrigam a cumprir uma espécie de meta, uma etapa a ser cumprida, um degrau a ser alcançado por nós e pelos alunos. Ao mesmo tempo, lidamos com a sala de aula que não parece entender este tempo que tentamos enquadrá-la. A sala de aula a que me refiro é o conjunto de alunos, suas histórias, os conflitos, as dificuldades e as relações interpessoais ali estabelecidas. Mesmo que tenhamos nossa velha prática de enquadramento do tempo/pessoas, as linearidades não nos permitem atuar dessa maneira pré-moldada que a “lista de conteúdos” nos demanda/ solicita.
Por vezes, uma turma precisa desenvolver outras habilidades que não se enquadram nos nossos planejamentos prévios, nas “listas” que planejamos nas reuniões de planejamento das disciplinas. Por vezes, conflitos que surgem precisam de uma intervenção diferente da pensada “aula tradicional”. Muitas vezes, o currículo oculto tem sua voz muito mais evidente, e as atividades ditas “sem valor pedagógico” (vistas externamente) acrescentam muito mais riqueza de aprendizado.
As necessidades não se enquadram, as pessoas não se enquadram. Os comportamentos não são líquidos e não se acomodam facilmente em qualquer modelo recipiente que tentemos contê-los.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Nosso Currículo de cada dia

Na escola o currículo ainda existe. É bom que exista? É necessário? Abrange nossas necessidades atuais na escola? São muitas as questões de discussão sobre ele, seu significado e a repercussão de segui-lo formalmente ou não em nossas práticas.
Hoje a vivência demosntrou que o currículo existe e que pode se mostrar de outras formas. Nesta minha caminhada como professora ouvi um experiente colega falando sobre o "currículo oculto". Estava vivenciando um desses momentos em que o currículo oculto explicita toda sua importância e não havia percebido como isso poderia ser importante nas minhas aprendizagens.
Era um torneio na escola, comemorativo ao Dia das Crianças. Professores de Educação Física engajados em organizar tudo, confeccionar medalhas, formar times, recrutar os jogadores. Os professores das outras disciplinas, hoje, participaram auxiliando na boa convivência da torcida, no socorro dos feridos, na organização das turmas...e na aproximação do aluno em um ambiente em que não estamos acostumados. Ali sentados observando tudo, vimos nossos alunos em outra perspectiva, em outra atuação. "Aquele bagunceiro, olha como ele está participando!" "Estamos fazendo algo errado, olha como o aluno está engajado! Não dá para querer ensinar para ele, ele gosta de estar assim, ativo!"
Nestas falas e observando tudo, ouvindo sobre o currículo oculto, percebi que o papel daquele momento ia além do Torneio Comemorativo. Estávamos vendo a capacidade dos alunos em socializar todas nossas práticas de sala de aula. Víamos na conduta deles que aquele momento era, mais do que um jogo, era um momento de aprender também. As vozes do currículo oculto, os resgates que observamos nos pequenos detalhes e as mudanças de atitudes que significam mudanças de vidas estão ali, diante de nossos olhares e atrelados às nossas práticas
Observando o aluno que em sala de aula é inquieto, indisciplinado, desafiador e pouco acessível à práticas pedagógicas em plena atividade na partida de handeball, auxiliando o professor na marcação de pontos e faltas, percebemos que nossos conceitos sobre sua aprendizagem estão limitados. Ele está sim desfrutando os saberes da escola. Sim, há importância em nosso trabalho em sua vida (mesmo que, diariamente nos perguntemos "o que ele vem fazer na escola"? Há mudanças em sua vida nas atividades que vivencia no ambiente escolar. 
O currículo oculto, não é oculto apenas aos alunos, aos professores (muitas vezes) também é!